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Alô?
julianabruce | 23 Junio, 2008 14:00

Aqui estou na dúvida se escrevo uma prosa ou uns versos. Bem, acho que a situação pede para que as linhas se preencham lá até o fim, onde as letras caem, mas não sem antes estarem seguras de serem acolhidas logo abaixo. Isso me faz pensar se é o começo ou o fim que sustenta um texto. E se pensarmos no caso dos japoneses?

Vamos em prosa mesmo. O caso é o seguinte: num domingo já fim de tarde, entre Augusto dos Anjos, Pessoa e Vinícius passeiam as minhas lembranças. Atrevido surge no meu rosto um sorriso bobo que nem licença sabe pedir. Mas me sei apressada. Paro. Que tal um cigarro? Acendo e dou um trago. Este, mais atrevido ainda que o outro, retruca, a quinta é muito longe.

Cedo! Subo e ligo...

Depois venho escrever, antes um banho. Está frio, mesmo assim lavo o cabelo. Meus pés agora estão gelados e dobrados sobre a cadeira. Os dedos - os das mãos - tocam e destocam os tipos no teclado, que de birra resistem a eles, para em seguida: Back Space, Back Space, Back Space... Que nem o barulho de um relógio, só que bem apressado, como se quisesse compensar o tempo gasto antes na construção daquilo que só foi criado para ter seu tempo compensado. Produzindo um vai e vem ritmado entre quadradinhos, barra e o retângulo. E a este eu novamente apelo. Fine. Da capo!: Back Spaces, agora com o Ctrl.

Me detenho no limbo da tela. Busco na memória o que tava escrito, e... CtrlZ! Assim juntinho, sem toques de relógio a separá-los e aos montes. Ouço um barulho, levanto, é a ligação sendo retrucada. Chega, não conto mais. Dois pontos e fecha parênteses.

-- Alô?

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