João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem
número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira
Separação
Se par ação
Se pára são
Sê paração
Ser pára ação
Ser para são
Ser e par a são
Se reparação
Ivan Fladek
Concretismo para Juliana Bruce
08/10/2008 15:16
Un amplio movimiento de activistas y organizaciones hacen un llamado a todos para unirse a la jornada contra la excesiva vigilancia por parte de los gobiernos y las empresas. El 11 de octubre de 2008, se tomarán las calles en diversos paises bajo el lema "Libertad sin miedo 2008". En varias capitales del mundo, se planea desarrollar actos pacíficos y creativos, desde marchas de protesta a demostraciones artísticas, fiestas, entre otros.
La
vigilanciamanía se está expandiendo. Los gobiernos y
las empresas registran, vigilan y controlan exahustivamente y cada
vez más nuestro comportamiento. No importa lo que hagamos, a
quien llamemos por teléfono, con quien hablamos, donde vamos,
de quienes somos amigos, cuales son nuestros intereses, en que grupos
participamos - "el gran hermano" en el gobierno y los
"hermanos menores" en las empresas saben más y más
de nosotros en distintos momentos.
11 de Outubro: Dia Mundial de Ação contra a Retenção de Dados
Para mais informações: http://www.vorratsdatenspeicherung.de/content/view/242/144/lang,es/
Depois da curva da
estrada
Tem um pé de araçá
Sinto vir água nos
olhos
Toda vez que passo lá
Sinto o coração
flechado
Cercado de solidão
Penso que deve ser doce
A fruta do coração
Vou contar para o seu
pai
Que você namora
Vou contar pra sua mãe
Que você me ignora
Vou pintar a minha boca
Do vermelho da amora
Que nasce lá no
quintal
Da casa onde você
mora.
(Renato Teixeira)
Ir ou vir, que diferença? O que muda é o espaço vazio entre os dois pontos e onde você está quando os pronuncia. Por isso lembro do Gil e sua lata que diz o incabível. Nela nada cabe se não o mundo. E nele eu. E em mim este texto que nele nada cabe.
Caberia dizer agora algo bem poético, melhor: devia retomar ao começo de tudo e vir fazendo todo em poesia - mas esta já me escapuliu desde cedo.
Eu mesma já perdi uma vida. Pior!, perco-a sempre, neste instante mesmo, por exemplo.
Quis fugir do mundo, como quem foge devendo. Devo, e muito. E não tenho pago, nem aos poucos. Devo contratos de aluguéis, livros para ler, aulas para nadar, quartos a arrumar, roupas a lavar, dissertações a simular, devo até o próprio dinheiro para viver. Mas por que merda temos nós que dever tanto, será que faço menos ou devo mais que outros?
Não deixaram-me partir para a minha Pasárgada! Pois agora devo mais essa. Me parece um tanto engraçado dever o fugir das dívidas, ainda mais sendo elas todas ilusões criadas por mim mesma. De fato não deveria nada, ou quase nada.
Já que eu não fui, vão vocês, todos vocês, à Pasárgada ou à puta que os pariu! Não importa, apenas sumam. Devo ficar tranqüila aqui mesmo, arrumando o quarto, lendo uns bons livros, dando uma força para minha irmã no contrato lá de casa e passeando com minha prima, mas sem exagerar que no domingo tenho simulado, e este será dissertativo.
Aqui estou na dúvida se escrevo uma prosa ou uns versos. Bem, acho que a situação pede para que as linhas se preencham lá até o fim, onde as letras caem, mas não sem antes estarem seguras de serem acolhidas logo abaixo. Isso me faz pensar se é o começo ou o fim que sustenta um texto. E se pensarmos no caso dos japoneses?
Vamos em prosa mesmo. O caso é o seguinte: num domingo já fim de tarde, entre Augusto dos Anjos, Pessoa e Vinícius passeiam as minhas lembranças. Atrevido surge no meu rosto um sorriso bobo que nem licença sabe pedir. Mas me sei apressada. Paro. Que tal um cigarro? Acendo e dou um trago. Este, mais atrevido ainda que o outro, retruca, a quinta é muito longe.
Cedo! Subo e ligo...
Depois venho escrever, antes um banho. Está frio, mesmo assim lavo o cabelo. Meus pés agora estão gelados e dobrados sobre a cadeira. Os dedos - os das mãos - tocam e destocam os tipos no teclado, que de birra resistem a eles, para em seguida: Back Space, Back Space, Back Space... Que nem o barulho de um relógio, só que bem apressado, como se quisesse compensar o tempo gasto antes na construção daquilo que só foi criado para ter seu tempo compensado. Produzindo um vai e vem ritmado entre quadradinhos, barra e o retângulo. E a este eu novamente apelo. Fine. Da capo!: Back Spaces, agora com o Ctrl.
Me detenho no limbo da tela. Busco na memória o que tava escrito, e... CtrlZ! Assim juntinho, sem toques de relógio a separá-los e aos montes. Ouço um barulho, levanto, é a ligação sendo retrucada. Chega, não conto mais. Dois pontos e fecha parênteses.
-- Alô?
Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,
O choro da Energia abandonada!
É a dor da Força desaproveitada,
O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!
É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza...
Da luz que não chegou a ser lampejo...
E é em suma, o subconsciente aí formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!...
(Augusto dos Anjos)
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
Drummond
(passeando pelo blog do meu irmãozinho banto, achei esse poema ;)
Sobe ao quarto pelo muro.
Eu, no meu canto,
Passo lento,
Deito lépida,
Acordo esperta.
E ele lá, batalha:
A tomar café, se trocar e pegar toalha.
Cotidiano curto,
Já tão breve, nem escuto.
A goteira silenciou
E o vazio já cantou.
Do misterioso soprar de ogro
sobra de longe desencontros.
Das palavras, colho o que posso,
como as calhas em dia de chuva.
Desejo então Drummond:
"Já não sofro, já não brilhas".
Mas não podemos ser coisa
alguma distinta de nada,
por não pensar que
fôssemos coisa alguma.
Vivo agora na costa
de um continente,
que não contém algo outro
além de um andar lento
e um adeus em gotas.
Eunice Goldemberg






