Rimancete

À dona de seu encanto,
à bem-amada pudica,
Por quem se desvela tanto,
Por quem tanto se dedica,
Olhos lavados em pranto,
O seu amante suplica:

O que me darás, dozela,
Por preço do meu amor?
– Dou-te os meus olhos (disse ela),
Os meus olhos sem senhor…
– Ai não me fales assim!
Que uma esperança tão bela
Nunca será para mim!
O que medarás, donzela,
Por preço do meu amor?
– Dou-te meus lábios (disse ela),
Os meus lábios sem senhor…
– Ai não me enganes assim,
Sonho meu! Coisa tão bela
Nunca será para mim!
O que me dará, donzela,
Por preço de meu amor?
– Dou te as minhas mãos (disse ela),
As minhas mãos sem senhor
– Não me escarneças assim!
Bem sei que prenda tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela,
Por preço de meu amor?
– Dou-te os meus peitos (disse ela),
Os meus peitos sem senhor…
– Não me tortures assim!
Mentes! Dádiva tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela,
Por preço de meu amor?
– Minha rosa e minha vida…
Que por perdê-la perdida,
Me desfaleço de dor…
– Não me enlouqueças assim,
Vida minha! Flor tão bela
Nunca será para mim!
O que me darás, donzela?…
– Deixas-me triste e sombria,
Cismo… Não atino o quê…
Dava-te quando podia…
Que queres mais que te dê?

Responde o moço destarte:
– Teu pensamento quero eu!
– Isso não… não posso dar-te…
Que há muito tempo ele é teu…

 

(Manuel Bandeira)

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(sem assunto)

o sem assunto de um email,
traz muito mais que meio,
traz termo.

 

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Luta

 

luta? que puta!
na ruta, tão pura.

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RONDÓ DE COLOMBINA

De Colombina o infantil borzeguim
Pierrot aperta a chorar de saudade.
O sonho passou. Traz magoado o rim,
Magoada a cabeça exposta à umidade.

Lavou o orvalho a alvaiade e o carmim.
A alva desponta. Dói-lhe a claridade
Nos olhos tristes. Que é dela?… Arlequim
Levou-a! e dobra o desejo à maldade
De Colombina.

O seu desencanto não tem um fim.
Pobre Pierrot! Não lhe queiras assim.
Que são teus amores? – Ingenuidade
E o gosto de buscar a própria dor.
Ela é de dois?… Pois aceita a metade!
Que essa metade é talvez todo o amor
De Colombina…

 

(Manuel Bandeira)

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Jasmim

 A Bela-Maria quando murcha amarela

O amor, se fora de seu arbusto,

cedo ou tarde amarela-se também.

O perfume que antes presente,

agora é distante.

A folhas – que verdes! – ainda brilham.

A vida segue, vivida.

Se o pouco perfumado capim-amargoso

não é a forte Citronela,

ao primeiro olhar, quem pode não baralhar?

Como arrancar do arbusto

a tintura dos frutos e a essência das flores?

Que amor é esse se se recusa a ser tinta e essência?

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A Imparcialidade da Mídia

Tem coisas que vale a pena lembrar:

Imparcialidade da mídia diante à usp

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saudade a ponto de matar

Tem saudades que são de dose pouca,
tem outras que vem de monte,
mas as piores são as que não morrem.
Daquelas que não tem jeito de curar,
que o tempo passa, mas ela não.
Tendo vezes que até piora.

Agora, o que doí mesmo
é a saudade que se sente agora,
porque o que já é memória, já é.
Mas saudade de já, é coisa séria.

Saudade pode morrer ou dormir.
Quando morre é porque já dormiu demais
e quando dorme é porque um dia acorda.
O problema é que quando acorda, eita!,
vem mais forte que bicho bravo.

E saudade que acordou e foi agora,
faz a gente pensar demais,
dá vontade de matar logo
ou de não sentir nunca mais.

Aí, a dificuldade é de como matar a saudade,
Que pode ser espantando ou encontrando.
Embora os dois tenham um mesmo fim,
um é bom o outro é ruim.
Quando a certeza é pelo bom,
aí a saudade é quem te mata!

 

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Meus Próximos 5 anos, Pelo Menos =)

Este é o saguão que frequentarei nos próximos, pelo menos, 5 anos.
Isso quer dizer que começarei em fevereiro a cursar geografia na USP.

saguão da fflch - USP, campus capital
Saguão do prédio da geografia e história, fflch – USP.

foto: Lucas Bonito, in http://www.flickr.com/photos/lucasbonito/3102528537/in/pool-gesp/

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Poema Tirado de uma Notícia de Jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem
número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Manuel Bandeira 

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Re

Separação
Se par ação
Se pára são
Sê paração
Ser pára ação
Ser para são
Ser e par a são
Se reparação


Ivan Fladek
Concretismo para Juliana Bruce
08/10/2008 15:16

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